terça-feira 23 julho 2019
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‘As pessoas não precisam ter receio de fazer amizade’, diz jovem que descobriu ser autista aos 13 anos

‘As pessoas não precisam ter receio de fazer amizade’, diz jovem que descobriu ser autista aos 13 anos

Para a família de Denilto, que é universitário, todos devem ter consciência de que autistas podem interagir com outras pessoas.


Denilto Freire, de 18 anos, descobriu o autismo aos 13 anos de idade. A família que mora em Dourados (MS) luta diariamente para que o jovem tenha uma vida totalmente normal. Universitário, para ele uma das maiores dificuldades é a interação: “As pessoas não precisam ter receio de fazer amizade”, desabafa.

A irmã de Denilto, Mayara, conta que o conhecimento é fundamental para quem convive com autistas. Ela explica que essa ideia de que o autista vive em seu próprio mundo e não tem amigos, afasta as pessoas:

“Ele quer fazer amizades, mas não sabe como iniciar. As pessoas ‘entenderam’ de alguma forma que autista não se comunica e isso não é verdade.”

Denilto conta que, entre as dificuldades do dia-a-dia, a interação social é uma das mais desafiadoras. Segundo o acadêmico, as pessoas têm receio até mesmo de conversar:


“Gostaria que as pessoas tentassem amizade, já que eu não consigo falar muito bem com desconhecidos, a interação é complicada para mim, mas eu gosto de fazer amigos”, explica.



Diagnóstico tardio

De acordo com a família, Denilto teve um laudo tardio. Mesmo passando por vários médicos desde criança, foi só na adolescência que a família teve o diagnóstico e direcionou o tratamento de maneira mais eficaz. Ela e a mãe, Rozenilda Salgueiro Freire, lembram que a família procurou vários profissionais.

“Quando soubemos o que havia, a ficha parece que caiu, e foi doloroso, mas ao mesmo tempo nos permitiu procurar tratamento adequado. Sentimos que esse diagnóstico tardio nos tirou anos de tratamento, que poderia contribuir para a evolução dele desde criança”.

Para a irmã, falta informação sobre a doença e alguma boa-vontade na convivência:

“Eu já fui em lojas como ele, por exemplo, em que ele perguntou algo e a pessoa respondeu para mim. Infelizmente há muito preconceito, é necessário que as pessoas estejam abertas a estas relações, seja no ambiente escolar, comercial, de trabalho, lazer e pessoal. Podemos ter amigos autistas”.

Em 2019 o jovem ingressou na faculdade, onde cursa Ciências Biológicas em Dourados (MS), e mesmo com todas as dificuldades, Denilto é só orgulho para os pais e a irmã. Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) onde estuda, três alunos com Transtorno Espectro Autista (TEA), recebem apoio através de um núcleo multidisciplinar.


Fonte: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2019/04/02/as-pessoas-nao-precisam-ter-receio-de-fazer-amizade-diz-jovem-que-descobriu-ser-autista-aos-13-anos.ghtml




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